::Perfil::



Nome:...Jessica Walter
Idade:...31...
Cidade:...Belo Horizonte...
Gosto:...Dar aula e dançar Flamenco...
Odeio:...Falta de solidariedade...
Filmes:...Volver...
Músicas:...Tanto mar...



Estamos pagando um preço muito alto pelo descaso com a educação e aprendendo da pior maneira possível a diferença entre criar e educar. Nossas crianças estão perdidas, sem parâmetros de certo e errado, sem consciência de sua missão na vida. É hora de abandonar a atitude de impotência e trilhar um novo/velho caminho - a educação pautada por valores universais!










MARIO SERGIO CORTELLA

NÓS,HUMANOS E HUMANAS,SOMOS PORTADORES DE UM "DEFEITO" NATURAL QUE ACABA POR SER TORNAR NOSSA MAIOR VANTAGEM:NÃO NASCEMOS SABENDO! POR ISSO,DO NASCIMENTO AO FINAL DA EXISTÊNCIA INDIVIDUAL,APRENDEMOS E (ENSINAMOS)SEM PARAR;O QUE CARACTERIZA UM SER HUMANO É A CAPACIDADE DE INVENTAR,CRIAR,INOVAR E ISSO É O RESULTADO DO FATO DE NÃO NASCERMOS JÁ PRONTOS E ACABADOS.APRENDER SEMPRE É O QUE MAIS IMPEDE QUE NOS TORNEMOS PRISIONEIROS DE SITUAÇÕES QUE,POR SEREM INÉDITAS NÃO SABERÍAMOS ENFRENTAR. AQUELES ENTRE NÓS QUE IMAGINAREM QUE NADA MAIS PRECISAM APRENDER OU,PIOR AINDA,NÃO TEM MAIS IDADE PARA APRENDER,ESTÃO-SE ENCLAUSURANDO DENTRO DE UM LIMITE QUE DESUMANIZA E,AO MESMO TEMPO,TORNA FRÁGIL A PRINCIPAL HABILIDADE HUMANA:A AUDÁCIA DE ESCAPAR DAQUILO QUE PARECE NÃO TER SAÍDA. A EDUCAÇÃO É VIGOROSA QUANDO DÁ SENTIDO GRUPAL ÀS AÇÕES INDIVIDUAIS,ISTO É, QUANDO SE COLOCA À SERVIÇO DAS FINALIDADES E INTENÇÕES DE UM GRUPO OU UMA SOCIEDADE;UMA EDUCAÇÃO QUE SIRVA APENAS AO ÂMBITO INDIVIDUAL PERDE IMPULSO NA ESTRUTURAÇÃO DA VIDA COLETIVA,POIS,AFINAL DE CONTAS,SER HUMANO É SER JUNTO,E , AQUILO QUE APRENDEMOS E ENSINAMOS TEM DE TER COMO META PRINCIAPAL TORNAR A COMUNIDADE NA QUAL VIVEMOS MAIS APTA E FORTALECIDA. COMPETÊNCIA É NOS TEMPOS ATUAIS,UMA CONDIÇÃO COLETIVA;ATÉ ALGUM TEMPO ATRÁS,A COMPETÊNCIA ERA ENTENDIDA COM ALGO INDIVIDUAL,A TAL PONTO QUE SE FALAVA QUE " A MINHA COMPETÊNCIA ACABA QUANDO COMEÇA A DO OUTRO";EM OUTRAS PALAVRAS,EM UM GRUPO,EQUIPE OU ORGANUZAÇÃO,SE ALGUÉM PERDE OU DIMINUI A SUA COMPETÊNCIA,TODOS NO GRUPO A PERDEM OU DIMINUEM.O DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA COLETIVA É,HOJE,O FATOR DIFERENCIAL QUE EXPRESSA A INTELIGÊNCIA DAS PESSOAS E DOS GRUPOS. QUEM NÃO ESTIVER ABERTO A MUDANÇAS E COMPROMETIDO COM QUESTÕES DE NOVOS APRENDIZADOS ESTARA FADADO A O INSUCESSO PROFISSIONAL E PESSOAL.VALE SEMPRE LEMBRAR A FRASE DO FICTÍCIO DETETIVE CHINÊS CHARLIE CHAN"MENTE HUMANA É COMO PÁRA QUEDAS;FUNCIONA MELHOR ABERTA"...

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Por que Chávez?
Artigo publicado no jornal O Globo, no dia 24/11/2007
Cristovam Buarque *
www.cristovam.com.br

Talvez nenhum outro líder político latino-americano tenha recebido tanta atenção de jornalistas e de políticos brasileiros quanto o presidente Chávez. As análises e críticas são sempre sobre "o que é" e "como age Chávez". Ninguém pergunta "por que Chávez?" - o que levou a Venezuela, depois de 50 anos de democracia, a optar, por meio do voto, eleição após eleição, por um governo com características autocratas. A resposta é simples: Chávez é o produto da insensibilidade da elite e da desmoralização da política.

Durante os 50 anos de sua democracia, a Venezuela teve dois partidos se sucediam, sem nada mudar, exceto o nome do Presidente. Uma falsa alternância do poder. Por todo esse tempo, o país exportou petróleo e teve recursos para financiar o luxo e a sofisticação do consumo de uma minoria rica. Muito pouco foi usado para atender às necessidades da população pobre, ou para investir em um projeto estratégico de desenvolvimento. O resultado foi um país dividido por uma apartação social, o total estranhamento entre incluídos e excluídos, que se vêem como se fossem partes separadas de um mesmo país, e não componentes de uma mesma nação. >

O Brasil se comporta hoje como a Venezuela de anos atrás. A eleição de Lula já foi o resultado da histórica insensibilidade da elite e da desmoralização da política. Ele representava o novo, dizia que o Congresso era composto por 300 picaretas; liderava um partido que era símbolo da luta contra a corrupção e da esperança de uma nova política nacional, que transformaria a sociedade em benefício da emancipação das camadas pobres. É verdade que, no poder, Lula não se comportou como Chávez: em vez de dividir o país, fez uma coesão política entre pobres e ricos. Mas não criou as condições para a unidade social, para a formação de uma nação. Em vez de mudar a sociedade, tomou medidas que acomodaram o povo e os partidos. Adotou uma forma de fazer política idêntica à que antes criticava. A coesão política veio do compromisso com a manutenção do status quo em todas as áreas, e da concessão de programas assistenciais para as camadas pobres.

O resultado é que o Brasil de hoje é a Venezuela de antes de Chávez, com o agravante da perda da esperança no governo Lula. A democracia vai aos poucos sendo corroída pela desmoralização dos políticos, pela insensibilidade das elites dirigentes, pelo cinismo da comemoração pelos pequenos avanços, pela aceitação de que a corrupção é natural e generalizada. Somos um caldeirão de frustrações fabricando uma alternativa autocrática.

Apesar de criticar Chávez, o Congresso brasileiro colabora sistematicamente para fabricar o chavismo no Brasil. Com o aumento do salário dos parlamentares, os acordos para salvar colegas condenados pela opinião pública, a mudança de posições que depende de estar no governo ou na oposição, o aumento de impostos repudiado pelos contribuintes, os fracos resultados no enfrentamento dos problemas da população. Nem aqueles que criticam Chávez sentem saudades dos partidos e dos políticos de antes.

Os juízes passam a idéia de estar mais preocupados com o aumento dos seus salários do que em fazer justiça, e permitem a vergonhosa impunidade dos ricos. Colaboram para formar o desejo popular de um líder autoritário. Na Venezuela, mesmo aqueles que se horrorizam com o controle da justiça afirmam que a justiça anterior não merecia sobreviver. >

A imprensa, apesar de denunciar constantemente a corrupção, se concentra no debate superficial, generaliza a crítica a todo político, desmoraliza a classe política - e junto com ela, a democracia -, ignora propostas alternativas para um Brasil sem apartação. Critica os erros, mas não denuncia as causas.

É como nas tragédias gregas. Ninguém quer o resultado trágico do autoritarismo. Mas como atores, estamos todos - Congresso, justiça, imprensa - fazendo a nossa parte para que o Brasil seja uma fábrica de autocratas, produtos da insensibilidade da elite e da desmoralização da política.



Escrito por Jessica às 13h27
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Palavras Ausentes
Artigo publicado no Jornal do Commercio, no dia 16/11/2007
Cristovam Buarque *
www.cristovam.com.br

Quando conspiravam para derrubar a Monarquia, os líderes republicanos já sabiam como seria a bandeira da República. Ela já estava desenhada, inspirada pelo exterior, especificamente pela França. Seguia o pensamento de Auguste Comte (1798-1857), que defendia que cada sociedade deveria ter por divisa "o amor por princípio, a ordem por base e o progresso como objetivo." As bandeiras nacionais deveriam ter a inscrição: Amor, Ordem e Progresso. Na nossa bandeira, não coube a palavra ¿Amor¿. Ficaram apenas ¿Ordem e Progresso¿. >
Mas muitas outras palavras ficaram ausentes.

Soberania: já nascemos com um lema importado. Não usamos bandeira com apenas desenhos e cores. E as palavras não foram criadas por um poeta brasileiro.

Solidariedade: a nova república ignorou a solidariedade, quando colocou na bandeira uma divisa escrita, mesmo sabendo que 35% da população não sabia ler. Nem criou escolas para erradicar o analfabetismo e permitir de que todos pudessem ler a nova bandeira.

Em um país com 90% da população na área rural, ninguém fez uma reforma agrária. Sem escola nem terra, os republicanos não completaram a Abolição da Escravatura. A verdade é que alguns deles derrubaram a monarquia e a Lei Áurea assinada pela Princesa Izabel.

Faltou igualdade: a república manteve a mesma estrutura de castas separando pobres e ricos, negros e brancos. Não houve nenhum gesto para reduzir a distância secular que havia entre os brasileiros. Todos eles viraram cidadãos. Acabaram os títulos de nobreza do Império, mas a República continuou um país de doutores e analfabetos, incluídos e excluídos, excelências e gente comum, povo e povão.

Faltou justiça: desde o início, a República tratou diferentemente a distribuição da justiça, prestigiando os ricos - com conexões e dinheiro - em detrimento dos pobres, excluídos, isolados em sua pobreza.

Faltou compromisso com a educação: nem mesmo um ministério da instrução pública foi criado. Esqueceram-se de que a base do pensamento positivista estava no objetivo de ¿Reorganizar Cientificamente a Sociedade¿, o que exigiria a educação de todos como elemento central do progresso. Não pensaram na divisa ¿Educação é Progresso¿, nem agiram nessa direção.

Faltou a palavra ética: e não é por acaso que, poucos anos depois, já começaram a estourar escândalos de corrupção, como se a República brasileira nascesse dentro da caverna de Ali Babá.

Faltou natureza: a república nasceu, cresceu, desenvolveu-se destruindo a natureza que herdara dos índios, que ainda existia ao final do Império. Uma república amante do cimento e do deserto, em nome do progresso. >

Faltou democracia: não se passaram muitos anos para a primeira mudança de presidente fora do prazo, e a posse de um novo que se orgulhava do título de Marechal de Ferro. Os primeiros governos da República foram legais, mas aristocráticos, de fazendeiros latifundiários, juristas sem contato com o povo. Depois foram ditaduras civis e militares. Mesmo as democracias se limitaram à legalidade, jamais à integração e à participação popular. A palavra democracia, social e plena, não foi escrita na bandeira.

Faltou emancipação: o último gesto emancipador incompleto foi da monarquia - a Abolição. Desde então, a República tem sido instrumento de manutenção do status quo: nem revolução, nem educação, nem mudança social.
A divisa ficou incompleta, com duas palavras que se casam sucessivamente, pelo autoritarismo, pela passividade ou, de vez em quando, por esmolas. 



Escrito por Jessica às 15h03
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Aborto Invisível
Artigo publicado no Jornal do Commercio, no dia 02/11/2007
Cristovam Buarque *
www.cristovam.com.br

O Brasil gasta bilhões de dólares para descobrir poços de petróleo e explorá-los, mesmo sabendo que cada um deles provoca a maior das violências já cometidas contra a humanidade: o aquecimento global e a destruição da vida no planeta. Nem por isso, alguém propõe abortar um novo poço de petróleo: tapá-lo para reduzir a violência ecológica. Mas o aborto de crianças é proposto como forma de reduzir a violência urbana. Não como um direito de escolha da mulher.

Aceitar a idéia de que o aborto em mulheres pobres reduziria a criminalidade abre margem a discussões muito graves. Por exemplo, se um aborto pode ajudar a reduzir a criminalidade; assassinar legalmente, por meio da pena de morte, aqueles que já cometeram crimes poderia ser também um instrumento justificado. A possibilidade de aborto nos bairros onde a violência é resultado do tráfico pode justificar o aborto nos bairros onde estão os consumidores das drogas. Afinal, a criminalidade do tráfico tem duas pontas: os que nasceriam para traficar e os que nasceriam para consumir.

O aborto como mecanismo de redução da criminalidade aborta o enfrentamento correto dos problemas brasileiros. Não permite ver o aborto legal invisível, permanente e sistemático que existe neste País: o aborto da inteligência. Provocando pela omissão pública que impede os cérebros de nascerem. O corpo nasce na maternidade, o cérebro nasce na escola. Dos 185 milhões de brasileiros, pelo menos 155 milhões de cérebros já foram ou serão abortados, impedidos de receber uma boa educação. Aborto que já existe há cinco séculos no Brasil e ameaça o futuro do nosso País, porque essa é a grande energia que teríamos disponível, se não for abortada. >



Escrito por Jessica às 19h37
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Mas tentando reduzir a violência, alguns falam em abrir clínicas legais de aborto para que não nasçam crianças, sem falar em abrir escolas de qualidade para evitar o aborto de cérebros. Há dez meses, os atuais Governadores estão enfrentando a violência que herdaram do passado. Poucos tiveram a coragem necessária de levar a polícia, mas sem levar escolas aos morros, favelas. Nenhum implantou horário integral para tentar impedir o aborto intelectual.

Isso está paralisando a economia. A economia crescerá cada vez menos por falta de cérebros que façam funcionar a nova economia baseada no conhecimento. Além disso, impede os jovens sem educação de terem oportunidade de emprego e leva-os à tentação da criminalidade como forma de sobrevivência. O jornal O Globo do dia 27/10 mostrou que, de um milhão e meio de postos de trabalho, apenas 720 mil foram preenchidos; 780 mil continuam vagos por falta de pessoal qualificado para exercer as atividades.

É a falta de oportunidade, o aborto cerebral dos nossos jovens, que faz com que muitos deles terminem na criminalidade, por falta de alternativa.

Daqui a poucos anos, não haverá mais poço com petróleo. Precisaremos de capacidade intelectual para inventar fontes alternativas de energia que substituam o petróleo. Mas, de uma maneira estúpida, exploramos todos os poços de petróleo na maior velocidade possível, apesar da violência que a queima desses poços provoca, e propomos tapar o nascimento de nossas crianças, apesar de nosso futuro estar nesse maravilhoso poço de energia que é a massa cinzenta dos cérebros de nossos habitantes.

Talvez, essas lógicas absurdas que orientam a política brasileira sejam a maior prova do sistemático aborto da inteligência chegando aos que fazem política no Brasil.



Escrito por Jessica às 19h37
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Crematório de Cérebros
Artigo publicado no jornal O Globo, no dia 27/10/2007
Cristovam Buarque *
www.cristovam.com.br

É comum o horror diante da brutalidade de dirigentes que queimam livros e prendem ou matam intelectuais como o imperador chinês Shih Huang Ti, que, 210 anos antes de Cristo, decidiu queimar todos os livros e matar todos os estudiosos do seu império. Até hoje, a Inquisição horroriza o imaginário da humanidade pelo crime de destruir livros e matar intelectuais durante a Idade Média. Em Berlim, no campus da universidade Humboldt, há um local de reverência indignada no lugar onde Hitler queimou milhares de livros.

Mas não nos horrorizamos quando os livros são impedidos de ser escritos e os jovens de se transformarem em escritores.  Indignamo-nos com a queima de livros e a prisão de escritores, mas não com a incineração de cérebros como se faz no Brasil, ao negarmos educação ao povo. Pior do que queimadores de livros, somos incineradores de cérebros que escreveriam livros, se tivessem a chance de estudar. A história do Brasil é a história do impedimento de que livros sejam escritos e de que cientistas e intelectuais floresçam. >

Quando os livros são queimados, alguns se salvam. Mas se eles não são escritos, não há o que salvar. Quando os escritores se salvam, eles escrevem outros livros, mas quando não aprendem a ler, queimam-se todos os livros que poderia escrever.

O Brasil é um crematório de cérebros.

Ao nascer, cada ser humano traz o imenso potencial de um cérebro vivo e virgem. Como um poço de energia a ser ainda construído: pela educação. No Brasil, treze porcento dos adultos são analfabetos, apenas trinta e cinco porcento concluem o ensino médio; destes, só a metade tem uma educação básica com qualidade acima da média. Portanto, oitenta e dois porcento ficam impedidos de escrever, todos os livros que escreveriam são queimados antes de escritos.

Como se o Brasil fosse um imenso crematório de inteligência.



Escrito por Jessica às 19h33
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As conseqüências são perfeitamente perceptíveis: basta olhar a cara da escola pública no presente para ver a cara do País no futuro. Apesar de nossos quase 200 milhões de cérebros, o quinto maior potencial intelectual do mundo, o Brasil continuará a ser um país periférico na produção de conhecimento. Da mesma forma como a China regrediu intelectualmente depois de Shih Huang Ti; a Alemanha, com Hitler; a Península Ibérica, com a Inquisição; o Brasil está perdendo o potencial de seus cérebros interrompidos. O resultado já é visível: ineficiência, atraso, violência, desemprego, desigualdade, tolerância com a corrupção e a contravenção. Um país dividido por um muro da desigualdade que separa pobres e ricos; e separado das nações desenvolvidas. >

Durante anos, falou-se no "decolar" da economia. Achava-se que para um país ter futuro bastava educar uma elite, um pequeno conjunto de profissionais superiores a serviço da economia. Formamos uma minoria no ensino superior, escolhida depois de rejeitar a imensa maioria na educação de base, e perdermos o potencial das dezenas de milhões deixadas para trás.

Ou o Brasil se educa ou fracassa; ou educamos todos ou não teremos futuro e a desigualdade continuará; ou desenvolvemos um potencial científico-tecnológico, ou ficamos para trás. Se a universidade é a fábrica do futuro, o ensino fundamental é a fábrica da universidade. Sem uma professora primária que lhe tivesse ensinado as primeiras letras e as quatro operações, Albert Einstein não teria se tornado cientista. Nossos prêmios Nobel morreram antes de aprender as quatro operações. Não podemos formar inteligências enquanto formos queimadores de cérebros. Não podemos melhorar a educação superior sem uma educação realmente universal e de qualidade para todos.

Só o pleno desenvolvimento do imenso potencial da energia intelectual dos brasileiros permitirá derrubar o muro do atraso e o muro da desigualdade. Mas isso exige que o horror que sentimos com os estrangeiros que queimavam livros e sábios, seja transferido para nós próprios, incineradores de livros que não foram escritos, de doutores que morreram analfabetos. Incineradores de cérebros.



Escrito por Jessica às 19h32
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Dia do Educacionista
Artigo publicado no Jornal do Commercio, no dia 19/10/2007
Cristovam Buarque *
www.cristovam.com.br

É comum o horror diante da brutalidade de dirigentes que queimam livros e prendem intelectuais. Mas não nos horrorizamos quando impedimos que os livros sejam escritos e que as pessoas aprendam a ler. É isso que o Brasil faz há 500 anos. Em vez de livros, queimamos cérebros. Quando os livros são queimados, alguns se salvam. Mas se eles não são escritos, não há o que salvar.

Ao negar educação ao povo, a história do Brasil é a história de impedir que livros sejam escritos, e que cientistas e intelectuais floresçam. Pior do que queimadores de livros, somos incineradores de cérebros que escreveriam os livros, se tivessem a chance de estudar. Sem uma professora primária que lhes tivesse ensinado as primeiras letras e as quatro operações, Borges não teria sido escritor, Einstein não teria se tornado cientista. A maior prova da nossa queima antecipada de livros é o desprezo com que tratamos professores e professoras da educação de base: pré-escola, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Durante anos, falou-se no "decolar" da economia. Até então, achava-se que, para um país ter futuro, bastava educar uma elite, uma minoria, um pequeno conjunto de profissionais superiores a serviço da economia. Mas isso não é mais possível.

Mas daqui em diante, ou educamos todos, ou não teremos futuro. Ou o Brasil se educa, ou fracassa; ou educamos todos, ou a desigualdade continua; ou desenvolvemos um potencial científico-tecnológico, ou ficamos para trás. Se a universidade é a fábrica do futuro, o Ensino Fundamental é a fábrica da universidade. Não podemos melhorar a educação superior sem uma educação realmente universal e de qualidade para todos. A chave é o professor da educação de base. >

No Dia dos Professores, eles merecem mais do que uma homenagem: nosso respeito, reconhecimento, apoio.



Escrito por Jessica às 19h31
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Hoje, ser professor no Brasil é um ato de heroísmo. Por causa da alta probabilidade de não terem sucesso financeiro, dos altos riscos que correm nas escolas degradadas, dos riscos à saúde, dos riscos da violência.

Eles são nossos heróis e merecem que lhes ergamos monumentos, como se fossem soldados retornando do campo de batalha.

Além do muro da desigualdade, são os professores que vão derrubar também o muro do atraso, que nos separa dos países ricos e desenvolvidos. A revolução de hoje é a da distribuição do conhecimento. E conhecimento só se distribui com o acesso a uma escola com a mesma qualidade para os filhos dos pobres e para os filhos dos ricos. E escolas tão boas quanto aquelas dos países que já fizeram a revolução educacional, muitas décadas atrás.

Isso só será possível melhorando o salário do professor, suas condições de trabalho, sua dedicação ao trabalho, sua formação, seu acesso a bons equipamentos.

Mas para isso, é preciso mudar o olhar do Brasil para a educação, e isso exige que cada professor seja, além de educador, um educacionista.

Educador é quem trabalha na escola para ensinar; educacionista é quem luta para dar condições a todos os educadores e fazer com que todas as escolas sejam boas, para mudar o País com uma revolução pela educação. O Brasil precisa de educacionistas, como já precisou dos abolicionistas. Que todos os educadores sejam também educacionistas. Até que os educacionistas se unam pela revolução que precisamos fazer.

E um dia, ao nascer uma criança, o pai e a mãe dirão: "Este vai ser professor". Quando isso acontecer, os educacionistas terão vencido, e os educadores poderão comemorar plenamente o seu dia. 



Escrito por Jessica às 19h31
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Angustiado, Despertei
Artigo publicado no jornal O Globo, no dia 13/10/2007
Cristovam Buarque *
www.cristovam.com.br

Estive cansado, junto com tantos outros, com a dificuldade de mudar a trágica realidade que caracteriza o Brasil. Mas despertei.

Despertei para o risco de que esses problemas pareçam pequenos diante do risco avassalador à frente: o de uma sociedade tão dividida que suas partes não percebam a semelhança entre si. Despertei para o fato de que o Brasil ainda não conseguiu se tornar nação. A Independência, a Abolição, a República, a Democracia foram insuficientes para unir nosso povo, compacto e solidário na convivência de suas desigualdades.

Despertei para a percepção de que a solução não está na simples manutenção da democracia e do crescimento econômico, nem em uma revolução social e econômica que desfaça tantas coisas boas que o Brasil conquistou nas últimas décadas: liberdade democrática, infra-estrutura econômica, estabilidade monetária.

Despertei para o sentimento de que só a escola transforma a população em povo, e de que o amanhã de um país tem a cara da sua escola de hoje. O caminho para a construção do futuro da nação está na educação da sua população. E, sem garantir o acesso de todos à educação com a mesma qualidade, estamos condenando milhões de brasileiros à marginalidade e desperdiçando o potencial de cada um deles. >

Despertei para o fato de que os dois muros que emperram o Brasil - o do atraso civilizatório e o da desigualdade social - só serão derrubados por uma revolução educacional. E essa revolução só ocorrerá se for tratada como questão nacional. Não teremos futuro se o futuro de nossas crianças depender da sorte da família em que nascerem e da cidade em que viverem.



Escrito por Jessica às 19h30
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Despertei para o fato de que, se no futebol a bola é redonda para todos, e os filhos das classes pobres alcançam o topo de carreira, uma escola igual para todos pode derrubar o muro de desigualdade que há séculos se perpetua no Brasil. E se os milhões de brasileiros que jogam futebol nos tornaram campeões mundiais, milhões de escolas com máxima qualidade nos tornarão também campeões na ciência e tecnologia e na economia de amanhã.

Despertei para o fato de que o mundo começa a substituir os operários por operadores, diferentes na qualificação educacional e profissional de que dispõem para entender o novo mundo global que surge, para usar os novos instrumentos técnicos da revolução científica e tecnológica, para se indignar com as injustiças sociais e os riscos ecológicos, para se deslumbrar com a beleza que os cerca.

Despertei para a perspectiva de que o capital do futuro está no conhecimento, criado em centros de pesquisas que surgem nas universidades, mas nascem na educação de base com qualidade para todas as crianças. E de que não haverá futuro para a economia se o Brasil não se tornar um grande produtor de conhecimento.

Tristemente despertei para a tragédia da pequena consciência da população brasileira em relação à educação. Os ricos consideram que basta educar seus filhos, os pobres imaginam que uma boa educação para seus filhos não é um direito, nem sequer uma necessidade; os líderes políticos, empresariais e sindicais não percebem a importância da educação de base. Despertei para o fato de que o Brasil não terá futuro se não revertermos essa consciência equivocada, e despertarmos nos ricos a necessidade de educar a todos, nos pobres o sentimento do direito e a necessidade de educar seus filhos, e nos líderes a consciência da educação como vetor da riqueza. >

Despertei para o fato de que nosso papel é despertar o povo brasileiro, e todas as suas classes, não só para o cansaço com a realidade, mas para a esperança e para a necessidade de uma revolução educacional: garantir escolas com a mesma qualidade em todo o país, para todas as classes e em todas as cidades. Escolas tão boas quanto às melhores no mundo.

Despertei também para a necessidade da paciência, porque essa revolução levará algumas décadas para ser realizada. Mas, angustiado, despertei para a urgência de iniciar imediatamente essa doce revolução.

* Professor da Universidade de Brasília, Senador pelo PDT / DF. 


Escrito por Jessica às 19h30
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TROQUE UM PARLAMENTAR POR 334 PROFESSORES

 
(e aí sim teremos um Brasil melhor, + politizado, + consciente, menos
dependente de programas assistenciais e com um povo menos omisso)
 
Prezado amigo: Bom dia!
 
Sou professor de Física, de ensino médio de uma escola pública em
uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu
salário bruto mensal: R$650,00 Eu fico com vergonha até de dizer, mas
meu salário é
 
R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de
profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem
minguados R$440,00. Será que alguém acha que, com um salário assim,
a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos
a ensinar?
 
Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores
lecionando, atualmente a regra é essa: O professor faz de conta que
dá aula, o aluno faz de
conta que aprende, o Governo faz de conta que paga e a escola aprova o
aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura verdade!
 
Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a
profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei
na boca do estomago do meu idealismo foi duro!
 
Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2
milhões por ano. São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto
trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545. Na Itália, são gastos
com parlamentares R$3,9 milhões, na França, pouco mais de R$2,8
milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850 mil e na
vizinha, Argentina, R$1,3 milhões.
 
Trocando em miudos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688
professores com curso superior !
 
Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha
campanha, na qual o lema será:
 
"TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344
PROFESSORES".
 
Poderia ter colocado no lema para 688 professores, mas coloquei a
metade (344), pois assim, sobra uma verba para aumentar o nosso
salário, que é uma vergonha... 
 

Escrito por Jessica às 19h24
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