SUPERDOTADOS PARA O PROGRESSO DO BRASIL Nelson Valente
O ingresso do Brasil ao Primeiro Mundo não pode se cingir a um exercício de retórica. Deve ser algo muito mais consistente, que passa pelos cuidados com a educação, a ciência e a tecnologia.
Se investirmos apenas 0,5% do Produto Interno Bruto em Ciência aí está o sintoma claro de que nos distanciamos de nações mais desenvolvidas, como é o caso da Coréia do Sul, que hoje coloca 2% do seu PIB em pesquisa científica e tecnológica. Com um pormenor notável: 70% desses recursos são oriundos da iniciativa privada, que acredita nesse investimento, o que infelizmente não ocorre entre nós. A quase totalidade dos nossos fracos investimentos na área são devidos a recursos federais, colocados à disposição das universidades.
Não se deve desconsiderar o valor dos recursos hoje aplicados no Brasil aos setores de desenvolvimento científico e tecnológico. São 2,4 bilhões de dólares, resultado das muitas campanhas realizadas e da aquisição de uma consciência generalizada a respeito da sua importância. Mas é também claro que estamos muito longe dos recursos ideais. Veja o caso dos EUA: as universidades americanas disporão este ano um orçamento de 158 bilhões de dólares, mais da metade para projetos de pesquisa básica. Por aí se entende porque cientistas americanos venceram 207 dos 528 Prêmios Nobel distribuídos desde 1901.
Quando se coloca a questão da inserção do Brasil no clube do Primeiro Mundo, gostaria de deixar claro o meu ponto de vista: entrar no Primeiro Mundo não significa vencer a corrida tecnológica, mas acompanhá-la. Um país pertence ao Primeiro Mundo quando contribui para o desenvolvimento da humanidade como um todo.
O Brasil poderia estar dedicando maior atenção ao desenvolvimento de vacinas contra a meningite do tipo B e o dengue. No primeiro caso, temos importado vacinas de Cuba, gastando milhões de dólares, quando isso poderia estar sendo feito em nossos próprios laboratórios, com economia e eficiência. O mesmo pode ser dito em relação à genética. O nosso país tinha resultados apreciáveis, em nível mundial, nas décadas de 50 e 60, mas por falta de apoio a nossa presença foi definhando, tornando-se hoje secundária.
A origem da falha encontra-se no sistema escolar (“a escola está preocupada em ensinar – e não fazer o aluno aprender”). A escola quer formar os cidadãos médios, mas é preciso valorizar os bons alunos, aqueles que irão compor as elites científica e intelectual, de onde são extraídos os elementos capazes de sustentar a liderança em setores determinados do conhecimento ou do pensamento.
Há exemplos internacionais do que deve ser feito, como é o caso da Bronx School of Science (NY), que trabalha com alunos superdotados para o ensino de Ciências. Eles são estimulados, por mestres competentes, em laboratórios devidamente apetrechados, para que se ampliem as suas possibilidades de acesso a outros patamares da ciência moderna. As nações desenvolvidas agem dessa forma. Não temos outra saída senão seguir os seus passos.
Escrito por Jessica às 22h35
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A APRENDIZAGEM NO CONSTRUTIVISMO Sebastiana Fátima Palermo Mendes
RESUMO Existe certo consenso de que a educação deva promover o desenvolvimento integral das pessoas e sobre a aprendizagem de determinados conteúdos da cultura necessários para que elas sejam membros da abordagem sócio-cultural de referência.Mesmo assim, problemas aparecem quando se trata de explicar o que se entende por desenvolvimento e aprendizagem e quais são as relações entre os dois processos.A psicologia da aprendizagem trata do modo como as pessoas percebem aprendem, recordam e pensam sobre a informação.O construtivismo,é uma teoria que tenta explicar esse processo de aprendizagem estudando as relações entre o individuo e o meio.
UNITERMOS: Construtivismo, aprendizagem, escola
SUMMARY There is a general agreement that education ought promote personal complete development as well as promote the development of certain areas of knowledge, so that people can be prepared do assume their papers as reference members in regard to social and cultural affairs. Even though, there is some difficulties when it’s supposed to explain the meaning of learning and development and the relations concerning these two affairs. Learning Psychology studies the mechanism by which people understand, learn, recall, and think about the information. Constructionism is a theory which tries to explain the process of learning through the investigation of the relationship between the individual and the environment.
KEY WORDS:. Constructionism, Learning, School.
INTRODUÇÃO Construtivismo é uma das correntes empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do principio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o individuo e o meio (Carretero, 2002). A idéia é que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento de forma cada vez mais elaborada (Taille, Oliveira e Dantas, 1992). Dessa forma pode-se dizer que o conhecimento consiste numa reestruturação de saberes anteriores, mais que na substituição de conceitos por outros. A passagem de uma didática centrada na transmissão do conhecimento para outra baseada na sua construção não nasce de um dia para outro. Assim, as abordagens construtivas para qual contribuíram os trabalhos de Piaget, Ausubel, Vygotsy e Bruner tem denominado a investigação nos últimos anos sobre o construtivismo e a aprendizagem. Fonost 1999, salienta que Piaget deu sua contribuição para o construtivismo, ao salientar o processo dinâmico e auto- regulador de que se reveste o equilíbrio que permite adaptação e organização, crescimento e mudança. Existe certo consenso de que a educação deve promover o desenvolvimento integral das pessoas e sobre a aprendizagem de determinados conteúdos da cultura necessários para que elas sejam membros da abordagem sócio-cultural de referência.. Primeiramente, é necessário considerar que o processo de aprendizagem se inscreve na dinâmica da transmissão da cultura, que constitui a definição mais ampla da palavra educação , e que não diz respeito só à criança, mas também a família e as instituições que ensinam. Mesmo assim, problemas aparecem quando se trata de explicar o que se entende por desenvolvimento e aprendizagem e quais são as relações entre os dois processos. Segundo Piaget 1978, o equilíbrio oscila entre dois pólos: assimilação e acomodação, portanto, a assimilação e a acomodação são, pois, os motores da aprendizagem. A adaptação intelectual ocorre quando há o equilíbrio de ambos. Franco 1998, destaca a necessidade de substituir um saber estático por um conhecimento dinâmico realçando o papel da contradição e do erro na construção do conhecimento. Enquanto Ausubel 1980, baseia-se na idéia de que para que ocorra a aprendizagem, é necessário partir daquilo que o aluno já sabe. Ele preconiza que os educadores devem criar situações didáticas com a finalidade de descobrir esses conhecimentos, que foram designados de conhecimentos prévios. Isso evidencia que em sua teoria Ausubel investiga e descreve o processo de cognição segundo uma perspectiva construtivista. Esta teoria ficou conhecida como teoria da aprendizagem verbal significativa, por investigar o papel da linguagem verbal. A partir desse contexto, observa-se que no construtivismo a noção central é a de que a compreensão e a aprendizagem são processos ativos, construtivos, generativos e de reorganização. As palavras do professor não ficam simplesmente gravadas diretamente na mente dos alunos, pois elas agem depois de serem implementadas por eles ( Franco , 1998). A contemporânea teoria construtivista da aprendizagem reconhece que as crianças são agentes ativos que se comprometem com a construção do seu próprio conhecimento, integrando a nova informação no seu esquema mental e representando-a de uma maneira significativa O paradigma construtivista conduz a compreender como a aprendizagem pode ser facilitada através da realização de determinados tipos de atividades atraentes de construção. Segundo Gardner 2000, uma forma de integrar os princípios construtivistas nas salas de aula é através da realização de projetos. O seu desenvolvimento, envolve a observação da vida extra-escolar, propiciando aos alunos a oportunidade de organizar os conceitos e habilidades previamente estabelecidas, utilizando-os ao serviço de um novo objetivo ou empreendimento. Um elemento crucial da participação ativa de atividades colaborativas é o dialogo nas experiências partilhadas, indispensável para suportar a negociação e a criação da significação e da compreensão.
CONCLUSÃO Pode –se concluir que para alguns teóricos como Piaget, Vygotsy, bruner e Ausubel construtivismo é uma teoria, que procura descrever os diferentes estágios pelos quais passam os indivíduos, no processo de aquisição de conhecimentos, de como se desenvolve a inteligência humana e de como o individuo se torna autônomo. Em busca de descobertas feitas pelas teses construtivistas, muito se tem escrito sobre como se poderia ser o processo de ensino fundamentado nessa teoria, há várias críticas sobre o construtivismo que advêm de uma tradução feita por alguns educadores para a pedagogia, objetivando justificar a adoção de determinados procedimentos no ensino. Assim, essa teoria não é remédio miraculoso, nem instancia normativa pedagógica para os problemas que afetam o ensino, de modo que a introdução de novas tecnologias como o uso de computadores nas escolas, não resolvem por si a situação da educação. Nesse sentido, tem-se que recordar a existência de diferentes posturas teóricas sobre um mesmo objeto de conhecimento e que a ação-reação deve sempre estar baseada em um processo de reflexão fundamentado criticamente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1.AUSUBEL, David Paul, Novak, Joseph e Hanesian, Helen. Psicologia Educacional, Rio de Janeiro: Interamericana, 1980. 2.BRUNER, Jerome. Uma nova teoria de Aprendizagem. Rio, Bloch; Brasilias, INL, 1975. 3.FIALHO, Francisco ª P. Introdução ao estudo da Consciência. Curitiba: Gêneses, 1998. 4.FOSNOT, C.T. Construtivismo e educação.Lisboa:Instituto Piaget.1999. 5.GARDNER, H. Estruturas da Mente: A teoria das Inteligências Múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul 1994. In: Inteligência : Um Conceito reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. 6.PIAGET, J. A equilibração das estruturas cognitivas. Rio de Janeiro: Zahar. 1978. 7.VYGOTSKY, L.S.A> A formação social da mente. 6? edição. São Paulo: Martins Fontes. 1998.
Escrito por Jessica às 22h34
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O grave é ser legal Artigo publicado no jornal O Globo, no dia 25/02/2008 Cristovam Buarque* www.cristovam.org.br
Durante quase 400 anos, a escravidão foi legal no Brasil. Mesmo sendo vergonhoso e sem qualquer lei que desse a algumas pessoas o direito de escravizarem outras, a escravidão era legal. Porque a imoralidade era legal. Como hoje está legalizada a maior parte das falcatruas.
Como acontece com gastos dos cartões corporativos, com o mobiliário do reitor da UnB e com os palácios construídos pelo setor público. Construir um palácio para o Judiciário, o Legislativo ou qualquer órgão do governo ao lado de favelas sem água nem saneamento, ao lado de crianças fora da escola, é imoral, mas perfeitamente legal. É uma corrupção nas prioridades, mas é legal. O grave é ser legal.
Quando, durante a construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, dezenas de milhões de reais saíram do orçamento público para os bolsos privados, foi ilegal. Os culpados foram punidos: um perdeu o mandato enquanto outro ficou preso. Mas foi legal colocar no orçamento centenas de milhões de reais para construir o prédio luxuoso do TRT, mesmo que esse dinheiro fizesse falta para escolas, saúde, transporte público, universidades. Só vai preso e perde o mandato quem tira de projetos do Estado para pôr no próprio bolso; mas continua solto quem, legalmente, tira do orçamento do pobre para gastar em projetos que beneficiam os ricos. Porque isso é legal.
Isto é o mais grave: legalizar a falta de ética das prioridades que não atendem às necessidades da população pobre. Nos últimos anos, houve desvio de recursos da educação de base, inclusive da alfabetização, para outros setores, como o ensino superior, e isso foi legal.
Seria ilegal tirar esse dinheiro para colocar no bolso do reitor, mas comprar mobília cara e lixeira de luxo está dentro da lei. Isso é grave.
A comunidade acadêmica da UnB está corretamente indignada com o fato de que, no lugar de investimentos em ensino, pesquisa e atividades de extensão, foram feitos gastos no apartamento funcional destinado ao reitor. Em vez de discutir a moralidade dos gastos públicos no Brasil, opta por denunciar apenas a ilegalidade grave de um gasto específico. Como resultado, o processo pode demorar anos e a Justiça ainda pode dizer que foi legal.
Em nome da legalidade, a população acadêmica abre mão de sua responsabilidade, e fica conivente com a corrupção nas prioridades.
Por olhar apenas do ponto de vista interno do campus, deixa de criticar o fato muito mais grave de que a administração da UnB pode ter agido legalmente; não percebe que o mais grave é que isso é legal. Ao concentrar-se na legalidade, as elites brasileiras evitam mudar as leis, e assim mantêm o poder de interpretá-las.
Porque se torna ilegal comprar lixeira, mas continua legal abandonar a educação de base, deixar 16 milhões de adultos analfabetos.
Por trás das mordomias, dos salários altos, das obras suntuosas e do abandono das prioridades do povo, está o fato de a legalidade ser definida não por valores ou objetivos nacionais, mas pelo poder de grupos de pressão. Na ditadura, era legal o que os militares queriam; na África do Sul, era legal toda a maldade do apartheid. Na Alemanha nazista, Hitler definia o que era legal; no apartheid social brasileiro, é tão legal não aplicar o dinheiro necessário para erradicar o analfabetismo de 16 milhões de adultos quanto comprar lixeiras caras com dinheiro público, para o apartamento do reitor ou para os gabinetes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo. Ao nos concentrarmos na lixeira do reitor, evitamos olhar para todas as lixeiras caras espalhadas pelas repartições públicas no Brasil, enquanto falta giz nas escolas e remédios nos hospitais.
Escrito por Jessica às 22h29
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Todas as lixeiras Artigo publicado no Jornal do Commercio, no dia 22/02/2008 Cristovam Buarque * www.cristovam.org.br
Desde sua criação por Darcy Ribeiro, a UnB tem servido de exemplo. Deu início a diversas mudanças na estrutura e no funcionamento do sistema universitário brasileiro. Iniciou a eleição direta para reitor, foi a primeira a implantar o sistema multidisciplinar como prática corrente, criou o sistema de avaliação seriada que substitui o vestibular, está implantando um campus na periferia de Brasília. Foi pioneira na instituição de cursos noturnos entre as federais. A atual administração do reitor Timothy Mulholland estava dando continuidade a essa história, até tomar a decisão equivocada de montar um apartamento funcional para o reitor, e desperdiçar recursos para mobiliar esse apartamento.
Mesmo que nenhum ato ilegal tenha sido cometido, houve falta de ética nas prioridades, ao se canalizar recursos para o apartamento funcional, em detrimento de gastos mais urgentes e comprometidos com as atividades fins e o bem-estar da comunidade. Além das prioridades equivocadas, a decisão feriu gravemente a imagem da instituição e ofuscou feitos positivos de uma história que vem trazendo importantes mudanças na UnB, inclusive as realizadas pelo reitor Timothy.
Mas além de dar crédito à atual administração da UnB pelo que vem fazendo, não podemos deixar de reconhecer o grave erro cometido e suas conseqüências, e a necessidade que a instituição tem de solucionar a situação, defendendo sua autonomia ameaçada pelo desprestígio e pela presença da polícia e de interventores no campus, como acontecia durante a ditadura.
Além disso, a comunidade acadêmica do Brasil inteiro precisa reconhecer que esses fatos decorrem da omissão de professores, alunos e servidores diante da administração de suas instituições. Desde que começaram a eleger os reitores, eles têm sido tolerantes com o que as administrações fazem. Ainda mais grave, concentram suas críticas aos aspectos legais, e não aos morais.
O grave é que grande parte das falcatruas ficaram "legais". Como era legal a escravidão, como é legal abandonar a educação de base. Como, muito provavelmente, no final serão inocentados os mensaleiros e os usuários de cartão corporativo.
O único caminho para retomar o prestígio da UnB e garantir sua autonomia é recolocar sua condução nas mãos da comunidade, debatendo as denúncias que pesam sobre a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos - Finatec e sobre os gastos com o apartamento do reitor.
O que aconteceu na UnB deve provocar a reflexão de toda a comunidade acadêmica, para saber o que acontece dentro de suas instituições. Não permitir que uma comunidade com uma bela história de militância saiba de fatos tão graves pelos jornais, graças ao Ministério Público.
Refletir sobre outros absurdos legais: a existência de 16 milhões de analfabetos e de 4,5 milhões de universitários, e de somente um terço dos jovens concluindo o Ensino Médio; o pagamento de salários tão baixos aos professores da educação básica; os gastos luxuosos com prédios públicos do Judiciário, Legislativo e Executivo. Enquanto denuncia o erro do reitor, a comunidade acadêmica não pode se omitir perante órgãos públicos cheios de lixeiras luxuosas; porque o comportamento dos dirigentes e das comunidades é o de olhar para suas instituições como se o mundo não existisse além dos seus limites.
O debate da comunidade não deve se limitar ao que acontece dentro do campus. Nem a debater a legalidade ou não dos fatos. Precisa apurar a falta de ética nas prioridades de todas as lixeiras caras espalhadas nos órgãos públicos brasileiros.
Escrito por Jessica às 22h29
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Você, Educacionista Artigo publicado no jornal O Globo, no dia 16/02/2008 Cristovam Buarque * www.cristovam.org.br
"Navio negreiro" foi escrito por Castro Alves em 1868, anos antes de Joaquim Nabuco escrever "O Abolicionista". Foi o poeta quem despertou o Brasil e divulgou a mensagem dos abolicionistas. Durante o regime militar, foram os poetas e cantores que nos acordaram para a democracia. Na semana passada, 120 anos depois da Abolição, os poetas voltaram às ruas com outra bandeira: o educacionismo.
A escola de samba "Vai Vai", de São Paulo, cantou a educação como saída para o futuro do Brasil. No desfile das campeãs, carregou uma imensa bandeira do Brasil com o lema "Educação é Progresso", no lugar de "Ordem e Progresso".
O Thobias Nascimento e os passistas da "Vai Vai" não são os únicos educacionistas no cenário brasileiro. O desfile foi inspirado no empresário Antonio Ermírio de Moraes, um educacionista que defende a educação como saída para o Brasil. Seu livro tem um título que lembra Castro Alves: "Educação, pelo amor de Deus".
Jorge Gerdau é outro empresário educacionista, que há anos investe parte de seus recursos em educação. É um dos promotores do "Compromisso de Todos pela Educação", que mobiliza a consciência nacional e de nossos dirigentes para a importância da educação.
Milu Vilela é uma educacionista que faz companhia ao Gerdau na direção do "Compromisso de Todos pela Educação". E a isso tem se dedicado há anos, usando sua energia e influência, procurando apoio, incentivando bons professores, bons secretários estaduais e municipais.
Viviane Senna é outra educacionista. Usa obstinadamente seu prestígio para lutar pela educação. Não só pressionando politicamente nossos dirigentes, e investindo, por meio da Fundação Ayrton Senna. Tive o privilégio de visitar sua experiência na Zona da Mata pernambucana e assistir a recuperação de crianças que tinham ficado para trás, abandonadas pelo governo, pelas famílias e por si próprias, como casos perdidos do ponto de vista educacional. Já começavam a constituir o contingente de analfabetos adultos, quando seu programa trouxe-as de volta à esperança.
Xuxa, uma das mais conhecidas artistas brasileiras, é quase desconhecida no que se refere ao seu trabalho como educacionista na Fundação Xuxa Menegel, onde atende 350 crianças, desde a primeira infância, e suas famílias, em um total de 2 mil pessoas. Rodrigo Baggio é um educacionista que se dedica desde a adolescência à tarefa de promover a inclusão digital que deveria ser feita dentro das escolas. Denise Valente dirige uma rede de 40 escolas da maior qualidade mantidas gratuitamente pela Fundação Bradesco, que atende mais de 109 mil alunos anualmente. Antônio Oliveira Santos, presidente da Confederação Nacional do Comércio, inaugura, no Rio de Janeiro, dia 19, a ESEM, a Escola Sesc de Ensino Médio, uma instituição com internato de alunos e professores.
Jorge Werthein, José Roberto Marinho, Severiano Alves, Cláudio de Moura e Castro, Nizan Guanaes ¿ o Brasil está cheio de "educacionistas", adjetivo que ainda não existe nos nossos dicionários; militantes do "educacionismo", substantivo que os nossos dicionários ainda não adotaram, mas já tem significado: a doutrina que considera a educação como vetor fundamental do progresso, defende que a utopia não vem da desapropriação do capital dos patrões para os empregados, mas sim de colocar os filhos dos empregados na mesma escola dos filhos do patrão.
A enorme bandeira do Brasil que os integrantes da "Vai Vai" carregaram no sambódromo paulista, com o lema "Educação é Progresso", mostrou que o movimento educacionista começa a crescer, no século XXI, como no século XIX, um movimento inicialmente muito pequeno cresceu, com o nome de abolicionista. Eles queriam que todos brasileiros fossem livres da escravidão; nós queremos que todos os brasileiros tenham acesso a uma escola de qualidade, único caminho para serem livres.
Falta fazer com que os educacionistas de hoje se transformem em um exército. Por isso, seja um educacionista, você também.
Escrito por Jessica às 22h29
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País Ameaçado Artigo publicado na Folha de S. Paulo, no dia 31/01/2008 Cristovam Buarque * www.cristovam.org.br
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O Brasil está ameaçado pela "invasão" de um exército de 72 milhões de adultos. São os eleitores sem o ensino fundamental completo. Adultos que aqui nasceram e, sem nenhuma culpa, serão agentes da desagregação nacional nas próximas décadas. Por causa dessa "invasão", dentro de 30 anos estaremos ainda mais mergulhados na violência, na corrupção, na baixa produtividade, na falta de capacidade para criar capital/conhecimento, nas desigualdades social e regional.
Não foi a Abin, nem as Forças Armadas, nem a Polícia Federal que identificou a ameaçadora "invasão" que o Brasil sofre: foi o TSE, ao mostrar que são 104 milhões os eleitores sem o ensino médio completo, dos quais 28,8 milhões são analfabetos ou apenas sabem ler e 72 milhões não concluíram o ensino fundamental. E esses dados não mostram que raros dos que concluíram o ensino médio tiveram cursos com a qualidade que os tempos atuais exigem, para a pessoa e o país. Mesmo que os dados não sejam exatos (são do momento do cadastramento do eleitor, sem estudos continuados posteriores), eles confirmam uma realidade conhecida.
Se algum país quisesse dominar o Brasil no século 21, não teria estratégia melhor do que abandonar a educação de nosso povo, como nossos próprios dirigentes fizeram ao longo de décadas. Nas próximas, essa situação vai trazer conseqüências catastróficas para o país.
Na democracia: o eleitor sabe votar corretamente, independentemente do grau de instrução, mas, sem educação, não tem alternativas de emprego ou renda, precisa de soluções imediatas para seus problemas. Em vez de votar em um candidato que propõe mudar o quadro futuro da saúde, vota naquele que lhe oferece uma caixa com o remédio para resolver sua doença atual. É um voto inteligente, mas que leva à fragilidade da democracia e ao aumento da corrupção.
Corrupção: a eleição democrática por um eleitorado sem alternativa induz à compra e à venda de votos, daí ao descompromisso do eleito com o eleitor e ao uso do cargo em benefício próprio. O eleitor não tem qualificação e perde o direito de cobrar do seu representante.
Economia: não há futuro para a economia sem mão-de-obra altamente qualificada, com trabalhadores preparados para usar instrumentos modernos. Também não há futuro para a economia que não é capaz de criar capital-conhecimento. Se toda a população jovem não estiver bem educada para fornecer quadros competentes às universidades, estas não desenvolverão o capital-conhecimento com base na ciência e nas técnicas de nível superior que o mundo moderno exige.
Emprego: a economia está trocando operários por operadores. Em vez de formar um operário com um simples curso, é preciso formar um operador de ferramentas inteligente, usando computadores. Isso exige um bom segundo grau completo, idiomas estrangeiros, inclusão digital.
Segurança: é possível que a maldade seja uma característica mais comum entre os educados do que entre os iletrados. Mas, sem alternativas de emprego, estes últimos ficam sem renda para sobreviver e mais facilmente caem na tentação de pequenos crimes - se ficarem impunes, terão incentivo à criminalidade; se forem presos, cairão nas universidades do crime que são as cadeias.
Desigualdade: os dados do TSE não mostram a desigualdade entre o nível de educação do eleitor pobre e o do eleitor rico, mas mostra a desigualdade regional no acesso à educação. O aumento da desigualdade entre as pessoas e entre as regiões será uma das conseqüências previsíveis dos dados divulgados. Alguns conseguem educar-se, têm alternativas, empregos, renda. Outros ficam excluídos.
O pior é que os educados não despertam para os riscos que o país corre. Uma parte nem deseja mudanças, outra defende o voto dos analfabetos sem defender a erradicação do analfabetismo; defende que o capital do patrão deve passar às mãos dos trabalhadores, mas não defende que a escola do filho do operário seja tão boa quanto a escola do filho do patrão, como venho defendendo. O governo Lula continua essa tradição da esquerda generosa, mas não transformadora.
Aos eleitores sem alternativas por falta de educação devemos perdoar suas opções eleitorais, aos eleitores educados não há perdão pela imoral tolerância com a mãe de todos os problemas: o abandono da educação.
Talvez a "CPI do Apagão Educacional" que o presidente do Senado, Garibaldi Alves, se comprometeu a implantar neste primeiro semestre possa servir para acordar o Brasil do risco que nos ameaça. | | |
Escrito por Jessica às 22h27
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Região em Risco Artigo publicado no Jornal do Commercio, no dia 25/01/2008 Cristovam Buarque * www.cristovam.org.br
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O Tribunal Superior Eleitoral prestou um grande serviço ao Brasil, especialmente ao Nordeste, ao divulgar a análise do nível educacional dos eleitores brasileiros. Mesmo que os dados não sejam exatos, já que se referem ao momento do cadastramento do eleitor, sem necessariamente captar estudos continuados posteriormente, eles confirmam uma realidade conhecida. Os dados são assustadores, e mostram os riscos que enfrenta o Brasil.
Com os milhões de adultos sem Ensino Médio completo, o Brasil não conseguirá dinamizar sua economia, porque este é o tempo da economia baseada no conhecimento. Estamos deixando para trás o potencial intelectual da nossa população adulta. Não vamos criar emprego, porque emprego exige qualificação; não vamos fortalecer nossa democracia, porque, sem qualificação, os eleitores têm ficam reféns de suas necessidades, forçados a dar o voto em troca de um remédio, de uma camisa. E a conseqüência é a corrupção do eleito sem compromisso, porque já pagou pelo voto recebido.
O Brasil é um país ameaçado e sem futuro, se não fizer uma revolução na educação.
O mais grave nos dados do TSE, porém, é a perspectiva de aumento da desigualdade entre pessoas e regiões. Eles mostram um Brasil dividido entre uma minoria educada e a maioria sem educação. Os primeiros terão várias opções, seus filhos serão ainda mais bem educados, e a desigualdade vai se ampliar.
O Sudeste tem 19,8% de eleitores que declaram ter completado Ensino Médio, uma taxa baixa para uma região rica. Mas no Nordeste, apenas 8,25% declaram ter concluído o mesmo nível. Não é difícil imaginar o que vai acontecer no futuro, uma taxa tão catastrófica. O Nordeste se distanciará cada vez mais na capacidade de competir, de assegurar qualidade de vida, dinamizar a economia, e de reduzir a desigualdade social dentro da região.
Lamentavelmente, os dados do TSE não despertarão a opinião pública. A imensa maioria - os eleitores que não estudaram - não vai sequer tomar conhecimento deles, e os que estudaram não se sensibilizarão. Não perceberão que estamos condenados a um futuro que inviabilizará nossas cidades por causa da violência, da miséria, da ineficiência. Não despertarão para a necessidade de fazer uma revolução pela educação, garantindo escola de qualidade para todos - com escolas para os filhos dos pobres tão boas quanto as dos filhos dos ricos -, como venho defendendo.
Se, há 50 anos, a Sudene tivesse iniciado essa revolução, em vez de perseguir a velha obsessão por uma industrialização forçada, o nível educacional do Nordeste não estaria tão defasado com relação ao Sul. A população educada atrairia investimentos, a igualdade de oportunidades reduziria a violência e a miséria. O Nordeste não estaria tão desigual em relação às demais regiões do País.
Pena que a seca da terra tenha sido visível nos anos 50, provocando a criação da SUDENE, mas que a seca da mente seja invisível e não sensibilize. Porque, aparentemente, os 4,47% dos eleitores nordestinos que declararam ter concluído o Ensino Superior são entendem a realidade diante dos seus olhos.
A contribuição do TSE foi valiosa. Não veio da Abin, nem do Ministério da Defesa, mas do órgão que fiscaliza e contabiliza as eleições. Esperemos que os eleitores entendam, e na próxima eleição o TSE possa contabilizar votos por uma revolução na educação.
Para colaborar com isso, o novo presidente do Senado, Garibaldi Alves, se comprometeu a levar adiante uma CPI diferente: a CPI das causas do apagão educacional no Brasil e no Nordeste. | | |
Escrito por Jessica às 22h26
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